Atenção senhores passageiros do vôo
AV086 queiram
por favor se dirigir ao portão de embarque....
Começava
nossa aventura de curtir o reveillon em Bonaire.
Para aqueles que não conhecem, a ilha que pertence
às
Antilhas Holandesas, fica no extremo sul do Caribe, compondo,
juntamente com suas irmãs Aruba e
Curação,
o chamado ABC caribenho.
O grupo de 26 pessoas era formado por: Ana
Limongi, Angela, Arnaud ( o
francês), Camila,
Cris, Dani e Danilo, Elizabeth e Sarah, Florent,
Jose
Eduardo, Marcelo, Mauro, Paulinha,
Roberta, Teo e
Cory, Vera e Jose Montemurro, Suelly, Taina,
Tulu, Tulio, Xande, Zé
Mário e,
logicamente, eu.
Danilo e família ficaram hospedados no Plaza Resort Bonaire
enquanto a galera ficou no Caribean Club Bonaire já
ao
Norte da Ilha e próximo aos melhores pontos de mergulho de
Bonaire.
No dia 29/12, após o check dive, começava a saga
de
mergulhos no Paraíso dos Mergulhadores, como é
conhecida
a ilha. Menos para a família Limongi, que
preguiçosamente, preferiu descansar mais um pouquinho e
relaxar
o corpo na cama até mais tarde.
Paraíso dos Mergulhadores!!?? A ilha recebe este
carinhoso
apelido, pois é um dos poucos lugares do mundo onde
você
fica totalmente à vontade para mergulhar onde quiser, quando
quiser e quantas vezes quiser. Praticamente todos os mergulhos
são feitos a partir da praia e com deslocamento
máximo de
40 minutos de carro ao ponto mais distante. Uma liberdade sem igual que
atrai muito o jeito despojado do brasileiro.
O substrato marinho de Bonairte é uniforme na Ilha toda. Uma
pequena faixa de areia próximo à praia e, poucos
metros
à frente, um recife de coral do tipo franja cobre todo o
fundo,
não sobrando nenhum espaço livre sem vida
marinha. A
fauna é composta, na sua maioria, por milhares
de peixes de
pequeno e médio porte muito coloridos. Lagostas,
moreías
e tartarugas também são apreciadas com
facilidade.
A
visibilidade da água chega aos 40 metros e a temperatura
é de 30ºC.
Começamos os mergulhos pelo lado Sul, onde encontram-se os
pontos
"menos profundos" - atingem uma média de 60 metros
se
desejar - para a adaptação do grupo à
entrade e
saída da água, a quantidade de lastro adequada,
etc.
Iniciamos por Jeannies Glory, depois Hilma Hooker, Alice in Wonderland,
Salt City, Buddy´s Reef. No terceiro dia começamos
a
migrar para o Norte com Oil Slick Leap, 1000 Steps, Karpata, Playa
Funchi., Tolo, Jeff Davis Memoriel, Andrea I e II, entre tantos outros.
Destaque para Oil Slick Leap e Karpata, meus favoritos desde a primeira
visita a Bonaire, e depois desta viagem,
inesquecíveis,
pelos momentos mágicos que passei nestes pontos.
Principalmente
nos mergulhos noturnos, abençoado por uma Lua Cheia, um
céu estreladíssmo, sem nuvens. Por vezes, pensei
que a
Luz estivesse querendo me dizer algo, tamanha a felicidade interior que
senti. Tanto que por horas, após o mergulho,
fiquei
observando o céu e contando - como se
fosse
possível - as estrelas. Senti o calor da noite
abraçando meu corpo, o silêncio
penetrandro na alma,
e a obra do criador me remetendo a um êxtase. Parecia estar
entrelaçado ao abraço da mulher amada
após intensa e longa noite de amor.
Com o coração aliviado com o retorno ao
grupo de
nossa amiga Elizabeth após um incidente enquanto
praticava
snorkeling naquele mesmo ponto, me rendi à felicidade. Se
fosse
possível, pediria para que o tempo parasse e aqueles
momentos
nas noites de Karpata e Oil Slick Leap nunca mais tivessem
fim.
Mas infelizmente, sonhos duram apenas alguns momentos.
Outro ponto fantástico e que foi motivo de muitas visitas
é o naufrágio Hilma Hooker. Deitado de Boreste,
com seus
90 metros, o Hilma, afundado nas águas
cristalinas
de Bonaire em 1984, ganhou fama não por sua
localização ou suas características
estruturais,
mas pela carga que transportava antes de ir ao fundo. Eram sete
toneladas de maconha! Descoberta a mercadoria, a
tripulação desapareceu. A droga foi apreendida e
queimada. O barco de nacionalidade panamenha foi afundado e
transformado em um maravilhoso recife artificial. Simplesmente
Fantástico !!!.
Paulinha, Cris, Danilo e eu, os únicos mergulhadores
técnicos do grupo, ainda fizemos um mergulho no
naufrágio Windjammer a 60 metros de profundidade. Usando
TRIMIX
19/45 no fundo e EAN 50 e O2 para a descompressão passamos
maravilhosos 80 minutos apreciando as belezas da
embarcação e do recife que o circunda. Show de
bola !!!
No reveillon a turma se esbaldou em um churrasco no hotel e depois com
a queima de fogos no Buddy Dive.
Para aumentar a diversão, alguns alugaram Scooters e Harleys
para fazerem passeios pela ilha. Zé Mário,
só
podia ser ele, acabou por atropelar um burro, animal
protegido em
Bonaire, com sua Harley. E advinha qual é o único
acidente que o seguro não cobre em caso de sinistro?
No penúltimo dia, o primeiro mergulho da madrugada seria o
meu
mergulho de número 4000. Às 4 horas da
manhã
Paulinha, Danilo, Roberta, Marcelo e Tulio e eu fomos para a
água em Calabas Reef. Daqueles que
pretendiam
participar, somente Cris, desistiu em cima da hora e preferiu
dormir. Que pena! Na água, Paulinha organizou uma
Rave.
Colocou seu Ipod com caixa estanque no substrato marinho preso
por
alguns corais e ao som de "I Gotta Feeling" dançamos e
comemoramos muito. Lógico que ouve a famosa pose para foto
indicando a marca alcançada. Após o
mergulho,
mudamos a letra da musica para "That tonight's gonna be a good DIVE"...
Todos esses momentos maravilhosos regados ao criativo humor de
Zé Mário, ao companherismo de Tulu, Paulinha e
Danilo -
meus irmãos de água - ao estilo Zen de
Roberta,
à ponderidade de Mauro, ao francês de Florent e
Arnaud,
à juventude de Taina, Tulio, Marcelo e Xande, à
elegância de Angela, à docilidade de Cris, ao
estilo famíliar dos Limongis e
Montermurros e aos
inseparáveis Cory e Teo e Sarah e Elizabeth
tornaram
maravilhosos estes sete dias que passamos juntos. Aprendi muito.
A todos o meu muito obrigado pela companhia e pelo maravilhoso e
inesquecível reveillon.