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Vida marinha floresce na
cratera nuclear do Atol de Bikini


Por Nick Squires – Sidney (Austrália)
Tradução livre de Otavio Martins

Ela foi assolada pela maior arma nuclear já detonada pelos EUA, mas meio século depois, o Atol de Bikini sustenta uma grande faixa de corais tropicais, que foi encontrada pelos cientistas. Em 1954, este atol do Pacífico Sul, foi atingido por uma bomba de hidrogênio de 15 megatons, 1.000 vezes mais potente que a bomba lançada sobre Hiroshima. A explosão atingiu ilhas a mais de 160 quilômetros de distância, gerando uma onda de calor de mais de 55.000ºC e espalhou uma névoa de partículas radioativas que chegaram a atingir o Japão e a Austrália.

Mas a maior surpresa da equipe de pesquisadores-mergulhadores que exploraram a área, foi que a cratera criada pela detonação apresentou uma notável recuperação e, é agora, local de florescimento de ecossistemas marinhos”. A cratera Bravo foi o local do teste da ogiva termonuclear no Atol de bikini, nas remotas Ilhas Marshall. “Eu não sabia o que nos esperava, talvez poderia ser algum tipo de paisagem lunar, mas foi inacreditável”, disse Zoe Richards, da Universidade James Cook na Austrália. “Nós vimos fartura de peixes, corais e surpreendentes colonias individuais. Os cientistas, provenientes da Austrália, Estados Unidos, Alemanha, Itália e Ilhas Marshall encontraram corais com mais de 7 metros de altura e 25 cm de espessura.

Enquanto as ilhas ao redor do atol permanecem contaminadas e impróprias para moradia humana, espécimes marinhas saudáveis foram provavelmente submetidas à fortes ventos e correntes marinhas nas proximidades do Atol Rongelap, o qual não foi afetado pelos testes das bombas entre 1946 e 1958. “A equipe imagina que o Atol Rongelap é potencialmente a semente da recuperação de Bikini pois é o segundo maior atol no mundo com uma enorme quantidade e diversidade de recifes de corais, além de biomassa, e localiza-se contra a corrente de Bikini” disse a Sra. Richards do Centro de Excelência para Estudos de Recifes de Corais. Muita vida marinha foi reestabelecida mas os pesquisadores descobriram que, pelo menos, 28 espécies de corais anteriormente encontrados na área do atol foram localmente extintas.<

A equipe foi autorizada pelo governo das Ilhas Marshall a investigar Bikini pela primeira vez depois dos testes, em parte para verificar se a pequena indústria do mergulho recreacional na região pode se expandir com segurança. As águas ao redor de Bikini estão repletas com destroços de navios da Segunda Guerra Mundial que foram afundados durante os testes, incluindo o porta-aviões USS Saratoga e o navio japonês HIJMS Nagato, de onde o Almirante Yamoto deu a ordem para o ataque a Pearl Harbour.

A Sra. Richards disse que a capacidade dos corais de Bikini em recuperar-se a partir de “um único e enorme evento destrutivo” foi a demonstração de seu poder de regeneração. Entretanto, isto não significa que a ameação dos recifes de corais ao redor do mundo devido as mudanças climáticas tem sido superestimado. “Mudança climática é uma luta continuo de sobrevivência, sem trégua a vista“, disse ela. “Após as explosões atômicas, eles tiveram 50 anos para se recuperar sem interrupções”.

A Marinha norte-americana evacuou os habitantes de Bikini em Março de 1946. Na ocasião, o comandante da Marinha norte-americana disse aos moradores das ilhas que os Estados Unidos estavam tentando aprender como usar armas nucleares para o bem da humanidade e pediu a eles que “sacrificassem suas ilhas para o bem-estar e prosperidade de todos os homens”. Os habitantes de Bikini foram removidos pela Marinha norte-americana por três vezes. Depois de quase morrerem de fome na primeira ilha para qual eles foram enviados, a população finalmente se estabeleceu na Ilha Kili em 1948, onde vivem desde então. Diversos inspetores que estiveram em Bikini concluiram que o atol ainda não é um local seguro para habitação humana.

Biquini 1

Bikini 2

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