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Capítulo 2
Frog Head Key – Uma aventura de Mergulho

“Jackson, esse barco e maravilhoso” disse Jake, olhando para a água. Ele era o outro comandante dos seus barcos de mergulho. Jake sabia lidar com os clientes e sempre ganhava boas gorjetas, mas ele era um pouco metido na opiniao de Jackson.

“O barco onde eu moro?” perguntou Jackson. “Obrigado, mas faz anos que ele não sai da marina. Eu nem chamaria mais ele de barco...”

“O que? Aquela banheira? Não. Eu estava falando daquele, “ disse Jake, apontando para o obejo dos desejos de Jackson. O Daydreamer, um Boston Whaler Outrage de 28 pés, com dois motores de popa Yamaha de 250 hp, quatro tempos. Esse barco e o máximo.”

“Obrigado,” respondeu Jackson balançando a cabeça. Ele sabia sobre o que Jake falava mas, sua reação reforçava a idéia de que era um garoto com muita coisa para aprender. Ele esperava poder promove-lo e dar mais responsabilidade, mas sabia que homens jovens precisam aprender a filtrar seus pensamentos e controlar seus impulsos antes de que isso pudesse acontecer. “ Cade o Bo? Precisamos ir embora.”

Jackson mantinha seu Daydreamer abastecido e pronto para sair. Ele sempre deixava dois cilindros de mergulho carregados a bordo – ele nunca sabia quando poderia ter oportunidade de mergulhar. Jackson convidou seus dois comandantes e um mergulhador promissor, cliente da loja para dar uma olhada na tal proliferacao de algas de Frog Head Key.

“Não tenho a menor idéia” comentou Jake. “Voce tem razão mas, precisamos voltar. Vamos embora.”

“Voce não está indo embora e me deixando aqui, né?” disse Bo, descendo a rampa do flutuante, seus cabelos longos e loiros estavam amassados sob o boné da Marshall University que ele nunca tirava. “Desculpem-me, estou sempre atrasado. Eu tive que levar meu cachorro para passear.”

Enquanto Jake era competitivo, Bo era tranquilo e raramente se incomodava com alguma coisa. Se essa postura meio desleixada pudesse causar a impressão de falta de inteligencia, isso seria um erro.

“Voces estão indo passear,” disse uma voz feminina. Kia Swanson era a nova divemaster da operadora. Jackson via como uma forma de equilibrar a presença dos dois homens que estavam na sua frente. Ela estava na cabine, arrumando o material quando eles chegaram.

Jackson pediu que ela viesse trabalhar pela sua maneira de tratar com os clientes, ele sabia que ela tinha lideranca. A maior parte dos mergulhadores eram homens e nao seria mal se ela ficasse muito bem de biquini também. Com quase 1,80 m, cabelos castanhos longos, ela fazia sucesso. Ela estava muito bronzeada mas, nunca usava nada de maquiagem e também não perdia muito tempo cuidando dos cabelos. Apenas se assegurava que não atrapalhassem quando saía da agua.

“A rainha dos caras certinhos,” disse Jackson sorrindo, enquanto os dois garotos ficavam de boca aberta. Todos a bordo, vamos embora daqui. Kia e eu estavamos esperando voces.”

Sem mais nenhuma palavra, os dois comandantes saltaram para bordo. Ambos esperavam estar no comando e não ser substituídos pela Kia. Nenhum deles queria que isso se repetisse. Jackson conduziu rapidamente o Daydreamer para fora da marina e fez o barco planar.

“Hei Jackson,” gritou Jake para superar o barulho dos motores. “Voce está fora do rumo. Olhe para o seu GPS, Frog Head Key fica naquela direção.”

“Eu sei ler, Jake. Eu quero ver até onde essa proliferação de algas se extende. A corrente está indo para leste. Eu quero circundá-la e rastreá-la a partir do seu fim. Precisamos avaliar o tamanho do problema que estamos enfrentando,” respondeu Jackson, sem tirar sua mão do timão e nem desviar seus olhos da água a sua frente.

Com quase 40, Jackson foi bombeiro em Nova Iorque até o 11 de setembro. Depois decidiu se aposentar e ir embora de NY. Ele encontrou a ilha mais remota possível nos Estados Unidos continental e comprou uma casa-barco. Ele se estabeleceu e esperava trabalhar ocasionalmente para alguma operadora de mergulho. Seus planos não aconteceram exatamente como ele havia previsto e ele foi para o sul pela ultima vez. Sua experiencia e autoridade ganharam o respeito dos outros mergulhadores e do dono da operadora. Logo, ele era o responsável para operação e não mergulhava tanto quanto gostaria. Por outro lado, ele estava se distraindo e sabia que poderia estar entediado se não tivesse tido essa oportunidade. Frequentemente perguntavam porque ele não comprava a operadora ou porque não abria a sua própria operadora. Ele sempre dizia que precisava ser louco para ser dono de uma operadora de mergulho.

“Tudo bem, chefe. Hora de começar a voltar. Não estamos muito distantes do ponto onde vi a água se turvar nesta manhã.” Disse Bo, levantando sua mão para sinalizar para Jackson diminuir a velocidade. Jake, Bo e Kia se moveram simultaneamente para olhar para a água.

“Aqui está,” gritou Kia apontando para a água. Isso vai nos ultrapassar. Está se espalhando por toda a parte.”

“É isso aí. Está bem além do ponto onde eu esperava. Mas parece que está menos intenso também. Parece que está seguindo a correnteza. Estamos a que distância de Frog Head Key?” Perguntou Bo.

“Cerca de uma milha nautical,” disse Jackson. Ele estava tentando ver o limite da proliferação de algas. Para ele, parecia mais uma corrente de sujeira se misturando com água limpa que uma proliferação de algas. “Vou ficar fora dessa coisa mas, vamos tentar seguir seu rastro até a sua origem. Estou com uma impressão ruim dessa coisa.”

Jackson conduziu a Daydreamer lentamente contra a corrente. Ele queria ficar fora da água turva mas, não queria se afastar demais. Rapidamente ele percebeu que ao invés de vir da direção da pequena ilha, a proliferação de algas parecia vir diretamente dela. Cerca de 100 metros do costão rochoso, a proliferação desapareceu e a água voltou a ficar transparente.

“OK. Agora eu não estou entendendo mais nada”, disse Kia. “Que está acontecendo aqui?”

“Eu vejo que está vindo do fundo. Chega na superfície exatamente aqui,” disse Jake, apontando para baixo.

“Eu quero ir para debaixo d’água e ver se consigo entender isso,” disse Jackson olhando para os tres mergulhadores. “Bo, você e o Jake ficam aqui. Cuide do meu barco. Kia, você vem comigo. Pegue seu equipamento e vamos para a água.”

“Porque ela que vai para a água com você?” – Jake protestou imediatamente.

“É isso aí. Porque a Kia? Eu descobri essa droga. Eu que deveria ver o que está acontecendo,” disse Bo concordando com Jake.

“Simples. Ela chegou no horário e estava pronta para ir. Ela trouxe seu equipamento e nos ajudou,” disse Jackson. “Além disso, eu escolhi e este é o meu barco. Agora voces podem escolher entre cuidar do meu barco enquanto fazemos esse mergulho ou nadar de volta. Vocês escolhem.”

Sem dizer mais nenhuma palavra, Jackson foi para a popa enquanto Kia fazia a ultima verificação em seu equipamento. A água estava morna e transparente, assim nenhum deles se preocupou em vestir a roupa de neoprene. Vestiram suas máscaras e nadadeiras, ajustaram seus coletes equilibradores e se prepararam para entrar na água com um giro de costas.

“Eu não planejo ficar muito tempo lá embaixo. Vamos descer rapidamente e procurar por alguma pista. Eu tenho um recipiente comigo e podemos coletar uma amostra da água se a gente encontrar algo, “ disse Jackson para Ki. “A profundidade é de cerca de 18 metros. Vamos direto para o fundo e procurar por algo estranho.”

Então ele se voltou para os dois comandantes de seus barcos. “Não se preocupem em ancorar. Apenas mantenham o barco nessa área. Não vamos demorar. Fiquem de olho nas nossas bolhas e quando começarmos a subir, venham nos buscar. OK?”

“Pronta?” disse Jackson se virando para Kia. Ela simplesmente sorriu, pos o regulador na boca e deixou seu corpo cair na água.

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