Arraias de água doce lideram o ranking de ´picadas´, segundo Instituto Butantan
Região oeste do Pará foi a que mais teve acidentes graves ocasionados pela espécie pouco conhecida
Muito bem camufladas no fundo dos rios, as arraias de água doce estão no topo do ranking de acidentes com animais peçonhentos feito pelo Instituto Butantan em 2009, junto com outros bichos perigosos, e mais conhecidos, como escorpiões e jararacas. Trata-se de um alerta para quem pretende visitar os rios da Bacia Amazônica, onde a espécie é encontrada com mais freqüência.
A região oeste do Pará foi a que mais registrou casos de picadas de arraia, em especial nas cidades de Santarém e Belterra, na confluência entre os rios Tapajós e Amazonas.
O alerta serve principalmente para os amantes do Fly. Por pescarem desembarcados, esses pescadores devem ficar muito atentos para evitar as picadas.
Os acidentes com as arraias se dão quando o individuo vai até a um local raso e não está calçado com botina ou outro apetrecho que proteja a região dos pés e da perna. Como as arraias ficam alojadas no fundo, bem encostadas na areia, é quase impossível enxergá-las.
Ao pisar no animal, um pescador descuidado, por exemplo, tem grandes possibilidades de ser picado. A arraia tem um ferrão serrilhado na cauda, que entra fácil na pele, capaz de provocar graves ferimentos. O ferrão é coberto por um muco, com um veneno muito dolorido. Se não bastasse o veneno, a sujeira da água pode causar infecção na vítima.
Segundo o pesquisador do Instituto Butantan, Giuseppe Puorto, os acidentes são sazonais e ocorrem mais na época seca. “A maior parte das vítimas, no entanto, é a que vive no campo”, relata o biólogo.
Mas, mesmo em uma época mais chuvosa, a melhor forma de evitar as picadas é evitar o banho em regiões habitadas pelas arraias e, se for pescar desembarcado, estar devidamente calçado com uma botina.
Se o pescador fisgar uma arraia durante a atividade embarcada, ele deve ter muito cuidado com o ferrão. O manuseio deve ser cauteloso, a fim de evitar o stresse do animal e o risco de uma picada. Caso não dê para para o peixe ser embarcado de maneira segura, o melhor é cortar a linha rente a boca do peixe.
As arraias
As arraias - ou raias - são peixes fora do desenho clássico, mas da mesma subclasse dos tubarões, dos quais difere pelo formato achatado de corpo e pela localização das fendas branquiais.
Possuem cauda longa, que, na parte superior, junto ao corpo, apresenta um, dois ou mais ferrões. Visíveis ou não, essas armas estão perigosamente preparadas contra a vítima, homem ou animal, que nelas esbarra ou que perturbe os peixes que as possuem.
Ao longo do ferrão, dezenas de pontas recurvadas; assim, esses ferrões serrilhados penetram nos músculos e aí se fixam como anzóis. Nas bases desses pequenos anzóis, estão glândulas que injetam na vítima um veneno violento, semelhante ao das serpentes. Ao contrário das espécies marinhas, que nem sempre têm ferrões, as arraias de água doce possuem ferrões desde seu nascimento e, se de algum modo é danificado, ele se desprende e cresce um novo.
Fonte: UOL
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