Será que a Petrobras dará conta do recado?
O acidente de vazamento de petróleo causado pela BP no Golfo do México — o maior desastre ambiental da história americana — continua a levantar questões cruciais para a exploração do pré-sal, justamente no momento em que a Petrobras se prepara para uma operação de capitalização que lhe permitirá explorar o petróleo submarino em águas brasileiras.
Ontem, diante de uma feroz plateia de parlamentares no Congresso americano, os presidentes de quatro grandes petroleiras em atuação nos Estados Unidos — Exxon Mobil, Chevron, ConocoPhillips e Shell — reconheceram que assim como a BP, elas não têm planos de emergência para lidar com um vazamento nas proporções do acidente atual.
Segundo a agência Reuters, quando perguntado a respeito, o CEO da Exxon, Rex Tillerson, respondeu: “Quando essas coisas acontecem, nós não estamos bem equipados para lidar com a situação.”
“É por isso que a ênfase tem sido sempre prevenir que coisas como essas aconteçam”, completou.
Reconheça-se que o acidente na plataforma Deepwater Horizon, explorada pela BP, deve ser atribuído em grande parte a um cronograma apressado e a decisão por economizar, o que levou ao afrouxamento de protocolos de segurança.
Desde 2001, quando a plataforma P-36 , de 1,5 bilhão de reais da Petrobras foi a pique, provocando um vazamento limitado de óleo e que não chegou à costa brasileira, que a empresa não sofre um acidente grave.
Mas por outro lado, é preciso levar em conta que as condições de exploração do pré-sal serão bem mais hostis do que as da Deepwater Horizon. Lá a extração do óleo acontece a uma profundidade de 1 600 metros e a 150 km da costa.
Já no pré-sal, os poços estarão a uma profundidade entre 5 a 7 km, e a uma distância de 300 km da costa.
Portanto, antes de começar a extrair o óleo, é bom que a Petrobras garanta à União, à sociedade brasileira e a seus acionistas que está à altura da tarefa — tanto do ponto de vista tecnológico como em termos de planos e normas de segurança.
A propósito, o governo americano estuda criar uma agência reguladora específica para supervisionar a exploração de óleo submarino, o que deve encarecer as atividades do setor nos Estados Unidos.
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